23.12.06
Se tem rua que gosto é a Paulista.
Todas as vezes que preciso pensar, ou quando não tenho o que fazer passo o tempo livre caminhando por esta avenida.
Certa vez estava andando sem rumo próximo às 6 horas da tarde quando lembrei que tinha um trabalho importante em uma rua não muito distante dali porém não fazia idéia de que ônibus pegar. Resolvi pedir informação.
Como de costume naquele horário a rua estava completamente lotada e escolhi aleatóriamente uma pessoa parada no meio da multidão. Encostei em um homem alto, de terno, que estava de costas.
Ele se virou e nesse momento esqueci o que ia perguntar.
- Errr...
Ele até era um homem bonito. Era alto, loiro, de pele extremamente pálida, buchechas um pouco rosadas pelo sol e olhos azuis penetrantes. Mas o que havia me deixado sem fala não era sua beleza era outro coisa, e sei que foi recíproco.
Fixei em seus olhos e ele nos meus e houve silencio.
- Oi? - perguntou ele de repente ao retomar a consciência.
- Sabe que ônibus pego para ir para a rua X?
- Não..
E ali continuamos olhando um para o outro ainda em silencio.
- Tá, obrigada - respondi
Mas continuamos ali, frente a frente.
- Tá, de nada - respondeu ele.
Mas o silencio continuava entre cada uma de nossas frases e ficamos ali nos encarando de forma hipnótica.
- Bem, vou indo - falei, porem não movi nenhum músculo para sair dali.
- Boa sorte - falou ele também sem se mover.
- Tá
- Tá
E depois de mais alguns instantes de silencio retomei a consciência, lembrei do maldito trabalho, e comecei a me distanciar.
Andei a quadra e atravessei a rua quando parei.
Porque não perguntei o nome dele? Porque não peguei telefone? Quem sabe quando vou ve-lo novamente? Se é que um dia vou ve-lo novamente?
Resolvi voltar para perguntar seu nome, pegar seu telefone. Seria uma idiota? Quem sabe, mas era um risco que tinha que tomar.
Virei e meu coração acelerou, ele estava vindo em minha direção me fitando e novamente retomamos o contato visual profundo, os segundos que faltavam para ele me encontrar passavam lentamente. E agora só uma rua nos separava, mas porque esses malditos semáforos abrem bem no momento que queremos atravessar?
Agora me digam se não é brincadeira do destino: nesse mesmo momento o ônibus que eu procurava para exatamente na minha frente, não poderia perder a oportunidade e acabar perdendo o trabalho. Entrei. Me arrependi depois de ver pela janela a figura dele parado na esquina se afastando...

Eu nunca mais veria ele...
Ou talvez não... Mas isso eu conto outro dia...

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Ser humano singular do sexo feminino, pscicopata, com mania de perseguição e comuns ataques de panico. Egoista e mal humorada constantemente vista falando sosinha. Work-a-holic, do contra, mão de vaca, culpada por todos os problemas da humanidade e pelo fato de que o pão sempre cai com a manteiga para baixo...
 
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Capitalimos ou Socialimos, no final todos querem a mesma coisa: Poder.
 
 
 
 
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